O incidente ocorreu após o rompimento de uma tubulação do sistema de refrigeração, na unidade da Minerva Foods, em Paranatinga (MT).
Publicado: 09 Julho, 2026 - 14h43 - Escrito por: Luiz Alberto Reis Neto.
Um vazamento de amônia registrado na unidade da Minerva Foods, em Paranatinga (MT), no dia 02/07, voltou a acender o sinal de alerta sobre os riscos enfrentados diariamente por milhares de trabalhadores da indústria da alimentação.
O incidente ocorreu após o rompimento de uma tubulação do sistema de refrigeração industrial, formando uma extensa nuvem de gás que ultrapassou os limites da empresa, alcançou bairros vizinhos e levou moradores a procurarem atendimento médico devido à irritação provocada pelo forte odor.
Segundo informações divulgadas pela empresa, os protocolos de emergência foram acionados, não houve registro de trabalhadores feridos e as atividades foram posteriormente retomadas.
Embora o episódio não tenha deixado vítimas graves, ele evidencia um problema recorrente na indústria frigorífica brasileira. A amônia é amplamente utilizada nos sistemas de refrigeração por sua eficiência, porém trata-se de uma substância altamente tóxica, capaz de provocar queimaduras, intoxicação, dificuldades respiratórias e, em concentrações elevadas, colocar vidas em risco.
Os dados disponíveis demonstram que esses acidentes estão longe de serem casos isolados. Levantamentos apresentados durante o Seminário Nacional de Saúde e Trabalho da CONTAC e da Rel UITA, em 2024, apontam que, nos frigoríficos brasileiros, ocorre em média um vazamento de amônia a cada 17 dias. Somente em 2023 foram registrados 22 acidentes envolvendo o produto, o maior número já contabilizado no setor, revelando que a frequência desses episódios exige uma atuação mais efetiva das empresas e dos órgãos de fiscalização.
O histórico recente reforça essa preocupação. Neste ano, somente no mês de maio, duas ocorrências foram registradas em frigoríficos nos municípios de Juína (MT), onde o vazamento ocorreu durante a manutenção preventiva dos equipamentos, sem registro de feridos; e em Marau (RS), devido a um escape do gás durante, sendo contido rapidamente pelo Corpo de Bombeiros e sem nenhum trabalhador ferido.
Em 2015, um vazamento de amônia em um frigorífico de Cascavel (PR) intoxicou cerca de 300 pessoas, deixando trabalhadores em estado grave. Em 2020, outro acidente em uma unidade da JBS, em Passos (MG), atingiu 316 trabalhadores, sendo que levantamentos da CUT apontavam que aquele já era pelo menos o décimo vazamento registrado pela empresa desde 2014. Casos semelhantes também foram registrados em Iporá (GO), além de diversas outras unidades frigoríficas espalhadas pelo país.
Para a Confederação Brasileira Democrática dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação da CUT (CONTAC-cut), cada novo acidente reforça a necessidade de fortalecer a prevenção. “A saúde e a vida dos trabalhadores devem estar acima de qualquer interesse econômico, exigindo o cumprimento rigoroso das normas de segurança, manutenção adequada dos sistemas de refrigeração, participação das representações sindicais nas discussões sobre prevenção e fiscalização permanente das condições de trabalho”, pontuou o presidente Josimar Cecchin.
A recorrência desses episódios demonstra que investir em segurança não é apenas uma obrigação legal, mas um compromisso indispensável para preservar vidas.
Fonte: https://contac.cut.org.br/
Link da noticia: